Ao caminhar em meio à multidão avisto todos os tipos de aspectos do espécime humano. Uma amiga me cutuca com o cotovelo e sussurra com o dedo ainda apontado:

 “Olha ali um casal de anões! Que estranho” 

Não eram comuns. O estranho é o ser diferente.
Chamamos ‘diferentes‘ os que nos se distanciam o modo de ser, ou os que a cultura global nos faz crer tal? Negros no passado eram diferentes, hoje talvez ainda sejam. Síndrome de Down, anões, surdos e mudos, albinos, homos e até mesmo os gagos também estão distantes dos padrões previamente estipulados pela, digamos assim, beleza da identidade universal. Qual a relevante diferença entre o tal casal e o ‘clássico’ casal molico? Seriam eles menos felizes? Definitivamente não. Uma tonalidade de pele diferente, desprovimento de altura e etc. não determinam quem será feliz e quem está condenado a sofrer por tais ‘diferenciações’.

No ultimo dia 22 de maio, feriado de Corpus Christi fui à basílica de São Bento no centro da cidade de São Paulo por motivos diversos assisti a missa. Decidi permanecer de pé ao fundo na nave, dando espaço assim para os mais idosos – maioria. Adentraram, passando ao meu lado todo tipo de gente: Idosa negra com andador, casal ‘molico’ branco e dois filhos, turistas chilenos de chinelo com barro, sacoleiras gordas, gays e câmeras fotográficas, crianças de rua fãs do canto dos monges, etc. Do lado de fora, no Anhangabaú dois eventos dirigidos ao público evangélico também uniam todos os tipos de pessoas. Em ambos os lugares comentários eram inevitáveis, risos abafados e olhares questionadores.

Para quê? Qual o beneficio em segregarmo-nos em clãs de nascença? Então o remédio seria criarmos Reservas Raposa Serra do Sol – abomino – para cada um de nossos tipos. Num país como o nosso praticamente todas as famílias sofreriam separações. Indesejáveis?

Somos diferentes em igualdade. Apenas nisso. Respiramos, vivemos, vencemos e perdemos, amamos e sofremos e por fim morremos todos da exata mesma maneira, sedentos de calor humano. Então por que deveríamos nos separar de tão errônea maneira. Não no papel, não em terra. Na mente de cada um e da sociedade.

Domingo São Paulo sedia a mundialmente renomada Parada Gay. Quantos não irão chacotar e repudiar um simples beijo entre os de mesmo sexo? Quantos atos de violência presenciaremos? Nossa cidade é conhecida por sua mescla em pouco nuance, seu respeito e amor a todos que a conquistam. Não digo apenas para aceitarem a diversidade sexual, todos os dias os chamados deficientes auditivos, visuais, intelectuais são vítimas de DÓ! Decerto o sentimento mais preconceituoso do mundo. Dó tem de ser dada aos infelizes na vida, a um bandido ou a um corrupto [não apenas politicos]. Os que rotulamos deficientes são os reais merecedores de honra. Nossas lutas jamais se nivelarãos as deles. Reclamamos por não conseguirmos emprego por não possuirmos tal curso. Mas ao acaso sabemos como é ser impossibilitado de executar sua carreira do sonho por não poder andar, escrever ou simplesmente por não ser do modo cujo patrão deseja como imagem para a empresa?

 

Como se sentiria uma mãe se fosse questionada pela criança que durante nove meses carregou na barriga, assim como todas suas outras amigas que combinaram engravidar na mesma época, mas que veio ao mundo ’diferente’. A mente da mãe roda em diversas rotas: penitencia, desafio, medo. Mas o que realmente prevalece sobre tudo que a preocupa é o amor materno. Não importa a cor, o sexo ou se olhos em padrões. Ela o amará como nunca amou nada na vida. É seu bebê, e não há nada que mudará isso. Sua vida é um desafio. Ensiná-lo, guiá-lo e principalmente amá-lo e protegê-lo de todo e qualquer olhar nefasto e dedo de negação. O peito que amamenta não tem olhos, nem frequentou a escola da sociedade racista.

 

É isso. Estas são as meras opiniões de quem acha saber o que fala. A visão da sociedade está cravada em cada um, cabe unicamente a nós mesmos aceitá-la ou não. Somos o que somos e desejamos ser, jamais o que nos chamam de.

‘Viva la vida or death and all his friends’

Obrigado

Isaac Lourenço

Vocabulário útil: casal molico: homem/mulher, aquele que acordam sem baço e olheira, que caminham todo o dia com o poodle tarado, a mulher gira gira e ninguém vê a calcinha. Homem marombado de voz grossa e mulher magérrima 34 livre da TPM.

Texto curso, rápido e em breve mais sobre a ‘identidade’. TBC…

4 Respostas para “Mamãe, eu sou diferente?”

  1. amore disse

    bom jah q o titulo do seu orkut tah dizendo q tem post a gente ve neh.
    muito legal o texto,se bem q tem umas partes muito subjetivas cheias de palavras de efusão.as fotos foram legais,mas se fossem de negros,ficariam mais autenticas.
    será q o orgulho das pessoas,principalmente o materno, subvencionará o preconceito?Pois isto implica ir alem do amor com seu filho eh ir contra todos ao seu redor,por mais q a mãe não negue seu peito e seu amor,vc não acha q quando estamos em um meio social nem sempre o amor q damos segue na direção q queremos? SOH O TEMPO SUBVENCIONARÁ AS TENSÕES,PRESSÕES E INVEJA,LOGICO Q NESSE MEIO TEMPO DEVERÁ,NECESSARIAMENTE,EXISTIR AMOR!

  2. Oi YitzBrasil,

    Respondendo algumas perguntas enviadas pro meu blog:

    “Vcs chegaram por aí já com ingles fluente ou estudaram na cidade mesmo?”
    Cheguamos nos EUA falando bem pros padrões brasileiros, mas falar no dia-a-dia, resolver os problemas, socializar, expressar as idéias no trabalho… é bem diferente do inglês de curso de línguas. A gente não se sentia a vontade de ligar para um delivery por exemplo, preferindo sair pra comer ou pedir algo pela internet quando possível. Essas “travas” atrapalhavam bastante. Mas hoje em dia já estamos acostumados e a língua já não é mais tanto problema (mas ainda dá pra melhorar).

    “Os alugueis aumentaram muito mesmo como estão falando por aqui?”
    Não sei se aumentaram muito, mas aqui é um dos lugares mais caros de se morar no mundo! É absurdo quanto de paga por um apartamento pequeno e detonado em Manhattan.

    “qlquer coisa q puderem me ajudar.. umas dicas.. agradeço muito…”
    Não sei que tipo de dica vc quer, mas se for para passear por aqui, tenho umas dicas em
    http://www.viniciusfortuna.com/newyorkguide

    Um abraço

  3. eu disse

    eu escrevo aminha..

  4. magnes disse

    adorei essa mensagem…pura realidade!!!
    sociedadizinha ipocrita aq vivemos…

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