Mamãe, eu sou diferente?
Maio 23, 2008

Ao caminhar em meio à multidão avisto todos os tipos de aspectos do espécime humano. Uma amiga me cutuca com o cotovelo e sussurra com o dedo ainda apontado:
“Olha ali um casal de anões! Que estranho”
Não eram comuns. O estranho é o ser diferente.
Chamamos ‘diferentes
‘ os que nos se distanciam o modo de ser, ou os que a cultura global nos faz crer tal? Negros no passado eram diferentes, hoje talvez ainda sejam. Síndrome de Down, anões, surdos e mudos, albinos, homos e até mesmo os gagos também estão distantes dos padrões previamente estipulados pela, digamos assim, beleza da identidade universal. Qual a relevante diferença entre o tal casal e o ‘clássico’ casal molico? Seriam eles menos felizes? Definitivamente não. Uma tonalidade de pele diferente, desprovimento de altura e etc. não determinam quem será feliz e quem está condenado a sofrer por tais ‘diferenciações’.
No ultimo dia 22 de maio, feriado de Corpus Christi fui à basílica de São Bento no centro da cidade de São Paulo por motivos diversos assisti a missa. Decidi permanecer de pé ao fundo na nave, dando espaço assim para os mais idosos – maioria. Adentraram, passando ao meu lado todo tipo de
gente: Idosa negra com andador, casal ‘molico’ branco e dois filhos, turistas chilenos de chinelo com barro, sacoleiras gordas, gays e câmeras fotográficas, crianças de rua fãs do canto dos monges, etc. Do lado de fora, no Anhangabaú dois eventos dirigidos ao público evangélico também uniam todos os tipos de pessoas. Em ambos os lugares comentários eram inevitáveis, risos abafados e olhares questionadores.
Para quê? Qual o beneficio em segregarmo-nos em clãs de nascença? Então o remédio seria criarmos Reservas Raposa Serra do Sol – abomino – para cada um de nossos tipos. Num país como o nosso praticamente todas as famílias sofreriam separações. Indesejáveis?
Somos diferentes em igualdade. Ape
nas nisso. Respiramos, vivemos, vencemos e perdemos, amamos e sofremos e por fim morremos todos da exata mesma maneira, sedentos de calor humano. Então por que deveríamos nos separar de tão errônea maneira. Não no papel, não em terra. Na mente de cada um e da sociedade.
Domingo São Paulo sedia a mundialmente renomada Parada Gay. Quantos não irão chacotar e repudiar um simples beijo entre os de mesmo sexo? Quantos atos de violência presenciaremos? Nossa cidade é conhecida por sua mescla em pouco nuance, seu respeito e amor a todos que a conquistam. Não digo apenas para aceitarem a diversidade sexual, todos os dias os chamados deficientes auditivos, visuais, intelectuais são vítimas de DÓ! Decerto o sentimento mais preconceituoso do mundo. Dó tem de ser dada aos infelizes na vida, a um bandido ou a um corrupto [não apenas politicos]. Os que rotulamos deficientes são os reais merecedores de honra. Nossas lutas jamais se nivelarãos as deles. Reclamamos por não conseguirmos emprego por não possuirmos tal curso. Mas ao acaso sabemos como é ser impossibilitado de executar sua carreira do sonho por não poder andar, escrever ou simplesmente por não ser do modo cujo patrão deseja como imagem para a empresa?

Como se sentiria uma mãe se fosse questionada pela criança que durante nove meses carregou na barriga, assim como todas suas outras amigas que combinaram engravidar na mesma época, mas que veio ao mundo ’diferente’. A mente da mãe roda em diversas rotas: penitencia, desafio, medo. Mas o que realmente prevalece sobre tudo que a preocupa é o amor materno. Não importa a cor, o sexo ou se olhos em padrões. Ela o amará como nunca amou nada na vida. É seu bebê, e não há nada que mudará isso. Sua vida é um desafio. Ensiná-lo, guiá-lo e principalmente amá-lo e protegê-lo de todo e qualquer olhar nefasto e dedo de negação. O peito que amamenta não tem olhos, nem frequentou a escola da sociedade racista.
É isso. Estas são as meras opiniões de quem acha saber o que fala. A visão da sociedade está cravada em cada um, cabe unicamente a nós mesmos aceitá-la ou não. Somos o que somos e desejamos ser, jamais o que nos chamam de.
‘Viva la vida or death and all his friends’
Obrigado
Isaac Lourenço
Vocabulário útil: casal molico: homem/mulher, aquele que acordam sem baço e olheira, que caminham todo o dia com o poodle tarado, a mulher gira gira e ninguém vê a calcinha. Homem marombado de voz grossa e mulher magérrima 34 livre da TPM.
Texto curso, rápido e em breve mais sobre a ‘identidade’. TBC…